A estimulação diafragmática é uma história de superação e esperança na terapia respiratória. Em 1995, o ator Christopher Reeve (Super-Homem) sofreu uma lesão medular que o deixou dependente de ventilação mecânica.

Assim sendo, essa adversidade levou ao desenvolvimento de uma tecnologia inovadora: o estimulador diafragmático. Neste artigo, exploraremos as principais indicações de uso, benefícios comprovados aos pacientes, números relevantes dos estudos científicos, o princípio de funcionamento do estimulador neuRX DPS da Synapse Biomedical e, ademais, como essa inovação está libertando a respiração de milhares de pessoas.

História e Inovação

A história da estimulação diafragmática começou com a busca por uma solução para o famoso ator Christopher Reeve, que lutava para respirar após o acidente que o deixou tetraplégico. Foi assim que os pesquisadores liderados pelo Dr. Raymond Onders desenvolveram o estimulador diafragmático NeuRx DPS, um marco na medicina respiratória. Esse dispositivo inovador utiliza a tecnologia de estimulação elétrica para ativar seletivamente o diafragma, permitindo uma respiração mais fisiológica.

A estimulação diafragmática – principais Indicações de Uso:

  1. Lesão Medular: Além de melhorar a qualidade de vida de pacientes com lesão medular, estudos¹ demonstraram que o estimulador diafragmático reduz em até 50% a dependência de ventilação invasiva. Essa inovação oferece maior autonomia respiratória, liberando pacientes da necessidade constante de suporte ventilatório.
  2. Síndrome do Sono Apneia-Hipopneia (OSAHS): Pacientes com OSAHS têm encontrado alívio com a estimulação diafragmática. Como resultado, pesquisas² mostraram uma significativa melhora no índice de apneia-hipopneia e na qualidade do sono, proporcionando uma respiração mais estável e restauradora.
  3. Síndrome de Ondine: Estudos³ destacaram a eficácia do estimulador NeuRx DPS na redução da dependência de ventilação invasiva em pacientes com a rara e debilitante Síndrome de Ondine. Dessa forma, essa abordagem permite que os pacientes respirem com mais conforto e autonomia.
  4. Lesão Unilateral do Nervo Frênico/Eventração: A estimulação diafragmática tem mostrado ser uma alternativa eficaz em pacientes com lesão unilateral do nervo frênico ou eventração. Assim, estudos⁴ apontaram melhorias na função respiratória e redução da necessidade de suporte ventilatório.
A estimulação diafragmática
A estimulação diafragmática

Benefícios Comprovados aos Pacientes

A estimulação diafragmática oferece benefícios inestimáveis aos pacientes:

  1. Maior Liberdade Respiratória: Ao reduzir a dependência de ventilação invasiva, a estimulação diafragmática proporciona maior liberdade aos pacientes, permitindo que respirem de forma mais natural e independente.
  2. Melhoria na Qualidade de Vida: Estudos⁵ têm evidenciado uma significativa melhora na qualidade de vida dos pacientes com o uso do estimulador diafragmático, permitindo maior participação em atividades diárias e uma vida mais ativa.
  3. Redução das complicações associadas à ventilação mecânica: As infecções pulmonares associadas à ventilação, como a pneumonia, são um risco significativo para aqueles que dependem de ventiladores. A estimulação diafragmática pode reduzir esse risco ao permitir uma ventilação mais natural.
  4. Economia de custos: Para os sistemas de saúde, a diminuição do tempo de hospitalização e das complicações associadas à ventilação mecânica prolongada pode levar a economias significativas.

Resultados dos Estudos de Onders

Os números resultantes dos estudos de Onders são um testemunho do impacto significativo que a estimulação diafragmática pode ter. Por exemplo, nos estudos com pacientes com lesão alta da medula espinhal, 88% conseguiram atingir a ventilação independente durante o dia após a implantação do dispositivo, e 60% conseguiram a ventilação independente 24 horas por dia. Portanto, esses números representam uma mudança dramática na vida desses pacientes, proporcionando autonomia e liberdade que poderiam não ter sido possíveis de outra forma.

Funcionamento do Estimulador neuRX DPS

O estimulador NeuRX DPS da Synapse Biomedical é uma verdadeira revolução na medicina respiratória. Com eletrodos implantados no diafragma e um estimulador externo, o dispositivo proporciona uma estimulação elétrica seletiva, ativando o músculo de forma coordenada. Como resultado, essa sincronia entre estímulo e respiração resulta em uma ventilação mais eficiente, permitindo que o paciente respire de forma mais livre e independente.

Além disso, os cinco eletrodos são implantados cirurgicamente (vídeo no final do artigo), quatro deles diretamente no diafragma e um como neutro para fechar o circuito de estimulação unipolar. Esses eletrodos são exteriorizados e é feito um conector para fácil conexão com o gerador de pulsos NeuRX DPS. Por fim, cada paciente recebe dois geradores, sendo um como forma de backup. Com um programador (clinical station), conseguimos fazer diversas alterações, entre as principais estão amplitude, largura de pulso, rampa (velocidade entre início e final da entrega de energia no diafragma) e frequência respiratória.

A estimulação diafragmática – conclusão

A estimulação diafragmática crônica é um avanço promissor no campo da medicina (leia também sobre a estimulação diafragmática no transplante pulmonar), pois transforma a vida de pacientes com disfunção respiratória. Com diversos estudos científicos respaldando sua eficácia, essa terapia liberta a respiração, oferecendo maior autonomia e qualidade de vida. Portanto, o estimulador NeuRX DPS da Synapse Biomedical é um marco na medicina respiratória, trazendo esperança e liberdade para milhares de pacientes ao redor do mundo.

Referências

¹ DiMarco, A. (1999). Diaphragm pacing in patients with spinal cord injury. Topics in Spinal Cord Injury Rehabilitation5(1), 6-20.

² Wang, Annie, et al. “Obstructive sleep apnea in patients with congenital central hypoventilation syndrome ventilated by diaphragm pacing without tracheostomy.” Journal of Clinical Sleep Medicine 14.2 (2018): 261-264.

³ Ali, Abdullah, and Helene Flageole. “Diaphragmatic pacing for the treatment of congenital central alveolar hypoventilation syndrome.” Journal of pediatric surgery 43.5 (2008): 792-796.

⁴ Onders, Raymond P., et al. “Extended use of diaphragm pacing in patients with unilateral or bilateral diaphragm dysfunction: a new therapeutic option.” Surgery 156.4 (2014): 776-786.

⁵ Posluszny Jr, Joseph A., et al. “Multicenter review of diaphragm pacing in spinal cord injury: successful not only in weaning from ventilators but also in bridging to independent respiration.” Journal of Trauma and Acute Care Surgery 76.2 (2014): 303-310.

Autor: Renan Anicet


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