Fibrilação atrial e os fatores de risco. Em 2016, a Sociedade Brasileira de Cardiologia lançou a “II Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial”(1), as novas diretrizes se justificam pela grande quantidade de evidências científicas produzidas sobre o tema nos últimos anos e também pela introdução dos novos anticoagulantes orais (ACO).

As novas diretrizes destacam a Fibrilação Atrial (FA) como um importante problema de saúde pública, por sua prevalência e também pelos gastos gerados no tratamento de suas consequências clínicas (sobretudo relacionadas aos eventos tromboembólicos).

Neste e nos próximos posts, a equipe do Diagnóstico Ideal irá trazer os principais pontos deste conteúdo de maneira prática e clara com o intuito de auxiliar o profissional clínico a definir o diagnóstico e a melhor terapêutica nos diferentes casos.

A importância de se compreender os tipos ou classificação clínica de FA e ainda os fatores de risco que podem levar um paciente a desenvolver FA é que tal conhecimento auxilia o profissional a diagnosticar a FA frente a sintomas inespecíficos e a estabelecer o tratamento mais adequado e eficaz.

 

Classificação clínica da Fibrilação Atrial

  • Fibrilação Atrial Paroxística – ocorre ocasionalmente e é revertida espontaneamente ou com intervenção médica. Tem duração de até 7 dias, podendo no entanto durar segundos, minutos, horas ou dias, até que o ritmo cardíaco normal seja reestabelecido. Pessoas com este tipo de FA são geralmente mais sintomáticas.

 

  • Fibrilação Atrial Persistente– este tipo de FA tem duração maior que 7 dias não é revertida espontaneamente. Medicamentos ou cardioversão elétrica podem ser utilizados. Quando a duração é maior que 1 ano, pode ser chamada de FA persistente de longa duração.

 

  • Fibrilação Atrial Permanente: o termo é empregado nos casos em que e as tentativas de reversão ao ritmo sinusal não serão mais instituídas. É o tipo mais frequente de FA.

 

  • Fibrilação atrial não valvar – é definida por FA na ausência de estenose mitral reumática, válvula mecânica ou biológica ou plastia mitral prévia.

 

Fatores de risco para desenvolvimento da Fibrilação Atrial

Os fatores de risco ou predisponentes da FA aos quais o clínico deve estar atento são:

  • Idade (sobretudo acima dos 65 anos)
  • Diabetes
  • Hipertensão
  • Doença arterial coronariana
  • Doença valvar
  • Insuficiência cardíaca
  • Cardiopneumopatias
  • Doenças tireoidianas
  • Apneia obstrutiva do sono (AOS)
  • Obesidade
  • Consume de bebida alcoólica
  • Exercícios físicos
  • História familiar positiva
  • Fatores genéticos

 

A importância de se conhecer e investigar os fatores de riscos e fatores predisponentes está em que para além da prevenção de fenômenos tromboembólicos, a conduta médica deverá também estar focada no controle das causas.

Dentre os fatores de risco apontados, a obesidade e a AOS merecem especial atenção pois parecem impactar de maneira importante a incidência da FA. Os estudos citados na “II Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial”(1) demonstraram que pacientes portadores de AOS sem tratamento ou com tratamento inadequado apresentaram uma chance muito maior de desenvolver FA.

Estes dados sugerem que para além de se indicar ou não ACO na prevenção de eventos tromboembólicos frente a um caso de FA, o médico deve também investigar e intervir nos fatores de risco ou fatores predisponentes.

O controle do peso, e de outros fatores que não podem ser eliminados, mas igualmente controlados como o diabetes, a hipertensão ou a doença tireoidiana por exemplo devem ser cuidadosamente avaliados e tratados.

O site de Rhythm society traz uma ferramenta on-line que pode ser usada por profissionais e pacientes na avalição dos fatores de risco para o desenvolvimento de FA (http://www.afibrisk.org). Trata-se de ferramenta bastante simples, embora o questionário esteja em inglês, que não se propõe a fazer diagnósticos, mas sim alertar os pacientes e profissionais para o risco de desenvolvimento de FA frente a determinados fatores de risco.

 

Referência:

1.Magalhães LP, Figueiredo MJO, Cintra FD, Saad EB, Kuniyoshi RR, et al. II Diretrizes brasileiras de fibrilação atrial. Arquivo brasileiro de cardiologia. 2016, 106(4). Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/abc/v106n4s2/0066-782X-abc-106-04-s2-0001.pdf.

 

Confira aqui, clínicas que já utilizam o Web Looper.

2 thoughts on “Fatores de risco para Fibrilação Atrial. Por que se preocupar com eles?

  1. Guillermo Hinestrosa Pareja says:

    Importante y de bom proveito para nos cardiologistas poder acessar de modo rápido atravez da internet, publicações da nossas diretrizes

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *